No final da tarde de Sábado, estava frio, vesti o casaco e fui até à varanda do meu quarto, para ver se estava a chover. Como afinal não chovia, fiquei por ali mais um pouco; olho em frente, reparo como está bonito o jardim dos meus vizinhos:a relva muito verdinha, sobressaía no meio daquelas árvores todas despidas, sem uma única folha, apenas baloiçavam os seus ramos esguios. Que momento tão bonito, até me fazia esquecer a barulheira infernal que vinha do quintal da direita…é que lá moram uns rapazes que pertencem a uma banda, eles acham que tocam bem! Enfim!…
Mas do lado esquerdo, reparo num grande alvoroço: é a minha amiga Beatriz que caiu do baloiço, porque o seu cão estava a correr pelo jardim atrás de um gato malhado. Ela distraiu-se e largou as mãos, e o incidente aconteceu.
Avanço um pouco mais e descubro, do seu lado direito, o pai a ler o seu jornal diário, sentado numa potrona grande, azul e branca e que nem se mexeu; só lhe disse: “- Eu bem te avisei!” Imediatamente a seguir, localizo, um pouco mais ao fundo, a mãe dela a correr com as mãos na cabeça, muito aflita, mas afinal foi só um pequeno susto, a minha amiga Beatriz estava bem, graças a Deus.
E lá voltei a olhar em frente, só que agora um pouco mais adiante, por de trás da casa, vejo os meus vizinhos da frente, o Luis e a Joana. O Luís é louro e anda sempre de boné vermelho. Ele estava a regar as plantas que salpicavam o chão com as cores do arco-íris. Entre eles saltitavam pequenas rãs verdinhas, até pareciam bocados de relva a voar. A Joana é morena e usa quase sempre duas grossas tranças com laços cor de rosa nas pontas. Ela estava atrás da cerca, mesmo junto à belíssima fonte de granito.
Mesmo em frente à casa deles, existem duas palmeiras bem grandes e uma piscina com uma água luminosa, que até apetecia mergulhar nela caso não estivéssemos numa tarde chuvosa do mês de Dezembro.
Avancei até ao parapeito da varanda e consegui observar um pouco mais ao fundo, onde serpenteava uma estrada, cheia de carros barulhentos e coloridos, que corriam para cima e para baixo. Ainda consegui distinguir os prédios que se erguem pelo bairro a dentro, entre eles estende-se o campo de futebol e o nosso Colégio.
Desse lado chega-me um cheiro intenso, mas delicioso, estico-me um pouco e consigo distinguir que é o homem das castanhas, que, em todos os Outonos, aparece por ali a vender sempre umas deliciosas castanhas e, hoje, sem excepção, o senhor lá estava a assar e a vendê-las, por isso sinto esse cheiro tão agradável a final de Outono, quase Inverno.
Acho que vou para dentro, pois lá em cima, no céu, está a ficar escuro e crescem nuvens enormes, eu acho que agora, sim, vai chover!….
Imagem oferecida por Cool Clip
Sara C 6B



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