Da janela do meu quarto, de olhos fechados, inspiro, e o cheiro da roupa lavada aconchega-me.
Observo a rua. Ergue-se, do lado esquerdo, um prédio em muito semelhante ao meu. Por baixo, surge uma porta com janelas de vidro que leva ao interior de uma loja. Descendo as escadas com os olhos, observo o parque onde os carros de varias cores descansam ao fim do dia.
Um pouco mais ao fundo, os candeeiros da rua iluminam o terreno de tons timidamente verdes e castanhos, que se estende entre os dois bairros, a chuva que cai traz-me o cheiro da terra molhada. Do lado direito, levantam-se algumas árvores, umas maiores, outras mais pequeninas, que tapam alguma paisagem mais longínqua. Ali perto, uma família fez crescer a sua casa onde, por vezes, se pode escutar o riso de crianças a brincar.
Avançando um pouco mais, um senhor encasacado de frio passeia o cão irrequieto, por entre os prédios do bairro calmo. A luz dos candeeiros transforma as paredes brancas em quadros pintados por sombras de diferentes formas e tamanhos. Aos poucos, os carros cansados vão chegando, um a um, incomodando a tranquilidade da noite.
Ao longe, identifico o som da buzina zangada de um carro seguida da sirene de uma ambulância. Os meus ouvidos captam uma música tranquila, no entanto, não consigo entender de onde vem. Acompanhada por estes sons, faço os meus olhos seguirem para mais longe, onde surge o perfil da serra de Sintra, salpicada de pequenas luzinhas das casas que nela se aconchegam.
Imagem oferecida por Microsoft Clip Art
Iara G 6C



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